O dia em que a internet parou… outubro 21, 2009
Posted by Sertao_Notícias in Internet.Tags: Entrevistas, Internet, Jornalismo Online
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No dia 28 de setembro a cidade de Juazeiro ficou desconectada. Praticamente 24 horas sem internet. O problema causou muitos transtornos no município onde as empresas de comunicação, por exemplo, tiveram dificuldades para a realização de suas atividades. Segundo a Empresa Telemar, a falha no serviço se deu pela necessidade de extrair um vírus instalado na rede local.

Flávio Ciro - "Eu não tenho Orkut, Facebook nem Twitter e tenho aversão a isso. No MSN tenho apenas dez contatos..."
O incidente pôs em foco a discussão sobre a dependência das pessoas e veículos de comunicação em relação à grande rede. O gerente da Rádio Tropical FM, Flavio Ciro, conversou com a nossa equipe de reportagem e falou de temas como as vantagens e desvantagens da internet e sua ampla utilização.
Blog Sertão Notícias: Quais as conseqüências da pane de ontem para a emissora?
Flávio Ciro: Quando ficamos sem internet a repórter perguntou “e agora o que eu faço?”. E eu disse: “não sou eu quem vou te dizer”. Percebi que temos uma dependência em relação a essa ferramenta da vida moderna. É como se fosse o papel que os jornalistas utilizam para escrever seus textos e matérias jornalísticas.
SN: O que você acha da transmissão online das programações de rádio?
FC: No rádio houve uma pressa muito grande para colocar seus conteúdos na internet. Acho que foi um erro, muito prematuro. Estamos fazendo nosso site, mas não vamos colocar programação online, apenas spots (pequenos programas de rádio) e alguns trechos do que a gente produz. Eu acredito que o rádio é local e não há necessidade de colocá-lo na internet. A graça está justamente na pessoa ligar o aparelho de rádio e ouvir.
SN: Uma rádio em juazeiro utiliza o recurso de web TV, com o qual transmite imagens de estúdio e a sua programação pela internet. Qual a sua opinião sobre isso?
FC: Para mim, a web tira a beleza do imaginário das pessoas. O locutor cria uma imagem diferente para cada pessoa, e essa é a razão do rádio existir. Eu acho que rádio é som, sonoplastia e imaginação. Transmitir imagens do locutor e do estúdio distorce isso.
SN: Qual a importância da internet para o jornalismo?
FC: Tem um lado bom e um lado ruim. Com a internet tudo ficou mais fácil, principalmente para as assessorias. Ficou mais prático para se transmitir e receber informações. Mas do mesmo jeito que facilita isso gera também uma acomodação. Temos que procurar outras formas de produzir informação, não podemos ficar presos à internet como a única forma de fazer jornalismo.
SN: Você utiliza as redes sociais na internet (MSN e Sites de relacionamento como Orkut, Twitter e Facebook)?
FC: Eu não tenho Orkut, Facebook nem Twitter e tenho aversão a isso. No MSN tenho apenas dez contatos, me relaciono com cinco ou seis e não quero aumentar. Não gosto da dependência em relação à internet e nem da exposição que as pessoas fazem das suas vidas.
SN: O que você acha da atual relação entre sociedade e internet?
FC: Estamos muito envolvidos com a internet. Deixamos de ir ao cinema, ver amigos, ligar para alguém, simplesmente para ficar em frente ao computador. Eu sinto que estamos nos distanciando uns dos outros. Por exemplo, tem vezes que eu e meu filho estamos em casa, mas apesar de estarmos no mesmo espaço nós estamos longe um do outro. A gente mal troca uma palavra, pois está cada um está em frente ao seu computador.
SN: E como se resolve isso?
FC: Temos que ter atenção. A internet é uma boa fonte e espaço de discussão e conhecimentos, mas temos que ficar atentos para não afetar as relações entre as pessoas.
Por: Daniele Valois
Eudes Sampaio
João Barbosa
Ramon Nascimento
Welington Junior
Foto: Paloma Aimée